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Quer me ver?
segunda-feira, setembro 20, 2004


Meninas, essa eu tinha que compartilhar com vocês, até porque a maioria não tem acesso à Folha...

Eu juro que já estive nessa situação e recentemente. Aliás, quem não esteve? Que pensam homens que agem assim??

Da Revista da Folha desta semana:
Quer me ver?
[por Ivana Arruda Leite]

Estava eu num domingo à tarde tomando cerveja na casa do meu amigo João Batista (lembram dele?) quando toca o celular. Eu atendo. Eu sempre atendo. "Quer me ver?", foi a pergunta do outro lado. Voz de homem. E não era um "quer me ver" docinho. Aquilo era praticamente uma intimação policial. "Quer me ver?". Céus... reconheci a voz. O cara desapareceu há um ano e agora, às 17h30 desse domingo maravilhoso, me liga e, sem nem perguntar se eu estava bem, o que eu andava fazendo, se eu tinha compromisso para logo mais, se eu ainda me lembrava dele, dispara a pergunta: quer me ver?

Eu ainda tentei entabular um papo decente: olha, estou na casa de um amigo, me liga amanhã, tudo bem com você? Mas quem disse que ele me ouvia? Ficava repetindo a pergunta feito um papagaio: "Quer me ver?". Alto lá, as coisas não são bem assim. O cowboy abre a porta, pára no meio do saloon, mostra o revólver na cartucheira, olha pra mocinha sentada à sua frente e dispara: quer subir na minha garupa, baby? Onde estamos?

Partindo do princípio de que sujeito é quem pratica a ação, me responda: quem ligou pra quem? Quem estava querendo ver quem? Logo, o sujeito da frase não era eu, mas ele. O correto seria dizer "eu quero te ver", concordam? Mas não, ele preferiu jogar o abacaxi nas minhas mãos. Se eu fosse encontrá-lo é porque eu queria vê-lo.

Dizem que pretensão e água benta não fazem mal a ninguém, mas a pretensão masculina, muitas vezes, beira o ridículo. Sou até capaz de ver a cena: domingo à tarde, o cara sozinho em casa, festa de encerramento da Olimpíada, copinho de cerveja na mão, por que não? Sim, claro! Abriu a agenda e ligou. O que de melhor eu teria para fazer numa tarde linda como aquela do que ir correndo ao seu encontro?

Pois a história não terminou aí. Às nove da noite, ele ligou de novo. "Você ainda está na rua? Quer me ver?". Aí eu desliguei sem nem responder.

Cá entre nós, mesmo se ele tivesse dito "eu estou com saudade, eu quero te ver" eu não iria. Nossos encontros não foram lá grande coisa, mas pelo menos ele teria passado para a história como alguém mais razoável.
(retirado de:
http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1909200416.htm)


Por Alessandra às 2:20 PM

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